A Gugu, a Pedagogia e o Poder da Aprendizagem

Tenho uma tia-avó com 91 anos e glaucoma, praticamente invisual. Deixou de atender o telefone porque não vê os botões. Também não consegue telefonar a ninguém. Passa grande parte do dia sozinha. Tem uma memória incrível e uma personalidade encantadora. Recordo-me desde sempre do seu sorriso fácil e do seu abraço apertado.

Depois da comemoração dos 91 anos e da perceção dos seus desafios de comunicação, convidei-a para passar uma semana comigo e trabalharmos numa solução. Preparei a chegada com semanas de antecedência, um telemóvel específico, testei dezenas de apps de acessibilidade e acabei por avançar com o Gemini.

Os desconfortos, a sensibilidade e as aprendizagens

Dei formação de Microsoft Excel Avançado num instituto público em Lisboa durante meses. A formação começava às 9:00. As pessoas chegavam a partir das 9:20, o que prejudicava imenso a formação. Comecei a introduzir estratégias para fazer cumprir a pontualidade, como começar formação às 9:05 em ponto, quem chegasse atrasado teria de esperar pelo próximo exercício/conteúdo para apanhar o barco, dar rebuçados a quem chegasse a horas, entre outras. Resultou.

“Não querem saber”, as barreiras invisíveis e a curiosidade

Corria um ano muito distante. Estava eu no estágio curricular de Psicologia Educacional, numa escola básica ao pé da Zona J, em Chelas.

Atribuíram-me uma turma de Currículos Alternativos, 9.º ano.

Uma turma “especial”. Daquelas que “precisa mesmo de aulas com uma psicóloga”.

O silêncio, o buzz work e a celebração

Hoje estive com 2 grupos de estudantes, numa sessão sobre métodos ativos. É uma sessão desafiante para mim e para o grupo, são convidados/as a fazer muito trabalho e a refletir nas práticas que usam. Ando pelo auditório a gerir respostas, a ouvir os grupos. Os/as estudantes participaram, quer através do Mentimeter, quer através de Finger Voting, quer através do uso da bola. Na minha – sempre presente – insegurança, perguntei no fim a pessoas (não estudantes) que foram assistir o que acharam.